Se é verdade que uma pessoa é um todo maior do que a soma de todas as suas partes, também é verdade que outros raciocínios que teriam lógica no campo da aritmética não a têm quando se fala do Ser Humano.
Somos um todo, constituído por muitas e muitas partes. Algumas complementares, algumas aparentemente antagónicas.
Aparentemente, porque a lógica da ciência e da razão nem sempre é a mesma que a da mente humana.
Há dias em que algumas partes de nós, que estavam adormecidas e quase esquecidas, fazem por se ouvir.
Considero-me uma pessoa positiva, tranquila, com uma boa capacidade de gestão interna, que aceita as coisas como são, que tira prazer das pequenas coisas boas da vida, que relativiza as coisas más.
Mas há dias em que pergunto onde guardar os sonhos, os projectos, os anseios, a vontade de viver intensamente, de inspirar o ar e a vida em grandes golfadas, de fazer coisas com paixão. De revisitar sentimentos e emoções extremos, intensos, que quase me dominem. De fazer algo que não pareça um emprego, mas que seja um prazer.
Sinto-me rica e feliz com o que tenho. Mas somos assim mesmo: queremos sempre mais. Isso tem um lado bom e um lado mau. Como muitas coisa na vida e nós próprios. Não tem necessariamente de haver só preto e branco, há muitas zonas cinzentas no meio. E é bom sentir-me viva.